Caro Noel, resolvi escrever essa carta não só pelos pedidos, mas também por que esse ano foi um ano diferente, mais diferente do que o normal, e você precisa saber, é claro.
Esse ano eu fui o meio termo, muito mais do que era antes. Fui bom. Fui ruim.
E só deixei a situação sair do controle na frente de quem realmente conseguiria agüentar. O mais diferente desse ano foi que... Antes eu sempre guardava minha raiva para não discutir, mas chegava uma hora em que eu tinha que colocar pra fora. Mas eu explodia com quem estava envolvido, já esse ano fiz diferente. Dessa vez continuei guardando, mas fui covarde. Não falei o que eu tinha para falar para quem tinha que ouvir dessa vez eu simplesmente resolvi não discutir, não explodir para algumas pessoas. E o porquê, não importa mais. Mas agora quem tiver que ouvir algo de mim, provavelmente ouvirá. Outro fato importante desse ano, meu bom velhinho, é que eu passei de uma fase, e só há pouco tempo percebi. Meus amigos, amigos mesmo, continuaram os mesmos, e os outros... Bom, não sei mais, porque foram embora, assim como eu fui. Esse ano foi um ano de provações, e provocações também. Fiz algumas coisas que eu nunca tinha pensado em fazer, e isso é bom porque algumas coisas nos enobrecem. Também esse ano chorei por alguém, outra coisa que eu (sinceramente) não considerava algo provável de acontecer. É engraçado pensar nisso agora pelo fato que eu nunca me considerei frio, mas antes se eu visse alguém passando na rua chorando (coisa que já vi algumas vezes) eu pensava “foi demitido”, e hoje penso “pois é mais alguém levou uma bota” hahaha. Enfim Noel... Aprendi coisas suficientes por um ano, mas não muito. Contudo, fui um bom garoto, por isso... EXIJO meus presentes hahaha
Minhas recompensas.
Obrigado Noel, e anda logo!
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
sábado, 13 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
Andrea 6
Adeus Andrea
Andrea, esta é a minha última carta. Pelo menos a última que escrevo pra você.
Só pra constar o quanto eu devo ter te amado, minha querida. Devo ter, pois não sei ao certo o que sentia quando dizia que te amava.Finalmente. Posso afirmar com clareza tudo o que mais desejei enquanto estive ao seu lado. Suas meias e as torradas com geléia de morango. Suas meias ficam marcadas nos tênis ficam tão marcados nas meias quantos os meus. Ficam tão coloridas quanto às cores do tênis, o que eu particularmente, não entendendo. E as geléias. Você gosta de geléias de morango com torradas. E seu tênis azul fica marcado nas meias, como minhas meias ficam marcadas do meu tênis vermelho. E você come geléias de torrada com morango. Quer dizer... Ah, deixa pra lá. É tanta a minha euforia que nem sei mais ao certo o que dizer.
Preciso te falar: comprei um novo guarda-chuva, minha querida. Não terei mais que correr durante a chuva para resgatar minha fortaleza de secura. De qualquer forma, é inútil. Desde que começou essa época primaveril de chuva eu desisti de usar. Andar ao léu na chuva sem guarda-chuva é o que há de melhor. Junto com esse frio ensolarado que toma conta dos meus dias e dos meus que, por acaso, minha querida, você não tem mais onipresença neles.
Andrea, minha querida. Como eu te amei. Amei. Amo.
Podemos tomar chuva ao menos mais uma vez juntos? Caminhar sobre aquela areia fofa de praia que sua foto eternizou? Comer maçãs do amor até nos empanturrar e ficar com a boca azeda de tão doce? Fazer aquele passeio de carro, no transito, enquanto você ajeita seus cabelos no retrovisor do meu carro?Nos beijar acidentalmente como naquela primeira noite dos meus sonhos?
Nem toda a modificação do universo poderá tirar o sabor dos seus lábios da minha boca. Nem todas as mulheres do mundo podem tirar o suave toque dos seus cabelos por entre os meus dedos. Nem toda a cegueira me fará esquecer seus olhos brilhantes e faiscantes de tão azuis, na qual é extremamente fácil de se perder.Ninguém poderá tirar a sua voz dos meus ouvidos. Sua voz foi feita para que eles a pudessem admirar, minha querida.
Mas era um sonho que já sonhei.
Andrea, perdoe-me por me deixar dormir em seu apartamento naquela noite. Estava sendo frustrante sobreviver sob os mesmos erros a toda ora. Os mesmos erros, as mesmas conversas, as mesmas palhaçadas, as mesmas discussões, o mesmo choro sofrido de raiva. As mesmas bebidas de leite. O mesmo banheiro imundo.De qualquer forma, sei que fora a única pessoa que me deu alguma atenção. Agradeço eternamente por isso.Alias, agradeço por me deixar desabafar com você sobre você, sem você imaginar que fosse você.
Obrigado Andrea
Adeus
Andrea, esta é a minha última carta. Pelo menos a última que escrevo pra você.
Só pra constar o quanto eu devo ter te amado, minha querida. Devo ter, pois não sei ao certo o que sentia quando dizia que te amava.Finalmente. Posso afirmar com clareza tudo o que mais desejei enquanto estive ao seu lado. Suas meias e as torradas com geléia de morango. Suas meias ficam marcadas nos tênis ficam tão marcados nas meias quantos os meus. Ficam tão coloridas quanto às cores do tênis, o que eu particularmente, não entendendo. E as geléias. Você gosta de geléias de morango com torradas. E seu tênis azul fica marcado nas meias, como minhas meias ficam marcadas do meu tênis vermelho. E você come geléias de torrada com morango. Quer dizer... Ah, deixa pra lá. É tanta a minha euforia que nem sei mais ao certo o que dizer.
Preciso te falar: comprei um novo guarda-chuva, minha querida. Não terei mais que correr durante a chuva para resgatar minha fortaleza de secura. De qualquer forma, é inútil. Desde que começou essa época primaveril de chuva eu desisti de usar. Andar ao léu na chuva sem guarda-chuva é o que há de melhor. Junto com esse frio ensolarado que toma conta dos meus dias e dos meus que, por acaso, minha querida, você não tem mais onipresença neles.
Andrea, minha querida. Como eu te amei. Amei. Amo.
Podemos tomar chuva ao menos mais uma vez juntos? Caminhar sobre aquela areia fofa de praia que sua foto eternizou? Comer maçãs do amor até nos empanturrar e ficar com a boca azeda de tão doce? Fazer aquele passeio de carro, no transito, enquanto você ajeita seus cabelos no retrovisor do meu carro?Nos beijar acidentalmente como naquela primeira noite dos meus sonhos?
Nem toda a modificação do universo poderá tirar o sabor dos seus lábios da minha boca. Nem todas as mulheres do mundo podem tirar o suave toque dos seus cabelos por entre os meus dedos. Nem toda a cegueira me fará esquecer seus olhos brilhantes e faiscantes de tão azuis, na qual é extremamente fácil de se perder.Ninguém poderá tirar a sua voz dos meus ouvidos. Sua voz foi feita para que eles a pudessem admirar, minha querida.
Mas era um sonho que já sonhei.
Andrea, perdoe-me por me deixar dormir em seu apartamento naquela noite. Estava sendo frustrante sobreviver sob os mesmos erros a toda ora. Os mesmos erros, as mesmas conversas, as mesmas palhaçadas, as mesmas discussões, o mesmo choro sofrido de raiva. As mesmas bebidas de leite. O mesmo banheiro imundo.De qualquer forma, sei que fora a única pessoa que me deu alguma atenção. Agradeço eternamente por isso.Alias, agradeço por me deixar desabafar com você sobre você, sem você imaginar que fosse você.
Obrigado Andrea
Adeus
Andrea 5
Andrea. Te odeio.
Não é mais uma mentira sem fim, Andrea. Assumo meu amor a ti e a ti confesso meu ódio por ti. Parece redundante e oposto, mas não é. Amei-te pelas tuas meias, seus sorrisos, seus olhos, seus cabelos, sua pele e mais alguma coisa que não me lembro. Odeio-te pelos teus gestos, seus gostos, sua ironia, seu macabro amor a qualquer um que cruza seu caminho, sua confiança a mim e alguma coisa que não possa ou não queira lembrar.
Odeio o fato de tanto suportar falar e odeio-me por ter de sobreviver aturando suas falsas lagrimas de amor desfeito, refeito, malfeito e feito. Eu demorei vinte anos até encontrar a verdadeira amada. E você encontra o seu verdadeiro amado a cada esquina. Céus, como estou repetitivo! Mas é só porque você é repetitiva, amiga-amante. Pronto, crio agora um titulo pra você! Amiga-amante. Amiga minha, Amante de todos os outros. Você é tão crua que posso até te delimitar em algumas palavras. Não é como todos os outros humanos, indefiníveis com relação a adjetivos.Você conseguiu.
Sabe quando despertou essa revolta em mim? Sabe?Desde quando desceu por aquela porcaria de escada do cursinho. Que, por acaso, não mais freqüenta. Faz um mês que não a vejo naquela droga de escada, que só serviu pra tirar meu sono a noite. Escada, frio, Andrea e sono. Combinação maldita. Te odeio
Te odeio.Como te odeio.
Amiga-amante. Desfrute da tua gloria social com seu sorriso a todos e suas lagrimas a mim. Porque todos desfrutam de seus sorrisos. Foi assim que conseguiu me atrair.
Sabe quando alimentou meu ódio, Andrea? Sabe?Quando reproduziu minhas palavras seguras de boa honestidade ou de ma interpelação, aparentemente ingênua. Sei, não sou dono de todas as minhas frases, que tens o mesmo prazer literário que eu, o mesmo pensamento sobre torradas com geléia de morango ou o mesmo idioma. Eu podia me gabar, em tese, mas foi naquele segundo que percebi o quão sugado venho sido.
Amiga-amante. Desfrute de sua glória social com minhas falas e minhas lagrimas que em silencio são derramadas. Meu choro puro que demorou poucos anos para surgir. Desfrute do meu amor que nunca mais terás odiável-querida, amiga-amante. Como diz Drummond (detesto reproduzir frases alheias a mim, pois de alguma forma não me sinto digno de reproduzi-las. Pena que não pense o mesmo.) “o meu ódio é o melhor de mim”, ou algo que o valha. Pense bem, você tem o meu melhor e o meu pior. Tens a minha chuva de lagrimas, minha dádiva de sorrisos, meus dedos alérgicos. Alias, teve. Não mais os tem.
Quer saber de uma coisa?Caralho, você é a primeira que eu escrevo cartas, a primeira a querer ser minha amiga (amante dos outros hehe), a primeira a ter meus olhos mareados e minhas brilhosas e escuras pupilas.Pode conferir, na minha primeira carta, que você nunca recebeu, o quão detestável ser eu sou. Nunca falo de mim nas cartas, pois sou tão medíocre que sequer mereço atenção. E por isso te odeio pelo fato de estar certa co relação a mim. Não lhe mereço, não mereço atenção. Mesmo você tentando me dar alguma. Não mereço uma foto ao teu lado como um idiota qualquer numa avenida sem fim onde pombas, carros, pessoas e folhas passam sem serem notados. Nem podemos, futuramente, nos deitar na grama fria e seca de algum lugar qualquer e rir das nossas fotos, porque nem isso temos.
Consegue imaginar esse dia? O dia em que nós nos reencontraríamos e estivermos longe dessa nossa situação atual que tanto me aflige e tanto lhe agrada, Andrea. Eu queria poder, mas meu futuro é tão negro quanto uma noite de sono mal dormida que já é de praxe eu presenciar.
Só pra reafirmar Andrea, te amo te odeio.Até a próxima e ultima.Carlo.
Não é mais uma mentira sem fim, Andrea. Assumo meu amor a ti e a ti confesso meu ódio por ti. Parece redundante e oposto, mas não é. Amei-te pelas tuas meias, seus sorrisos, seus olhos, seus cabelos, sua pele e mais alguma coisa que não me lembro. Odeio-te pelos teus gestos, seus gostos, sua ironia, seu macabro amor a qualquer um que cruza seu caminho, sua confiança a mim e alguma coisa que não possa ou não queira lembrar.
Odeio o fato de tanto suportar falar e odeio-me por ter de sobreviver aturando suas falsas lagrimas de amor desfeito, refeito, malfeito e feito. Eu demorei vinte anos até encontrar a verdadeira amada. E você encontra o seu verdadeiro amado a cada esquina. Céus, como estou repetitivo! Mas é só porque você é repetitiva, amiga-amante. Pronto, crio agora um titulo pra você! Amiga-amante. Amiga minha, Amante de todos os outros. Você é tão crua que posso até te delimitar em algumas palavras. Não é como todos os outros humanos, indefiníveis com relação a adjetivos.Você conseguiu.
Sabe quando despertou essa revolta em mim? Sabe?Desde quando desceu por aquela porcaria de escada do cursinho. Que, por acaso, não mais freqüenta. Faz um mês que não a vejo naquela droga de escada, que só serviu pra tirar meu sono a noite. Escada, frio, Andrea e sono. Combinação maldita. Te odeio
Te odeio.Como te odeio.
Amiga-amante. Desfrute da tua gloria social com seu sorriso a todos e suas lagrimas a mim. Porque todos desfrutam de seus sorrisos. Foi assim que conseguiu me atrair.
Sabe quando alimentou meu ódio, Andrea? Sabe?Quando reproduziu minhas palavras seguras de boa honestidade ou de ma interpelação, aparentemente ingênua. Sei, não sou dono de todas as minhas frases, que tens o mesmo prazer literário que eu, o mesmo pensamento sobre torradas com geléia de morango ou o mesmo idioma. Eu podia me gabar, em tese, mas foi naquele segundo que percebi o quão sugado venho sido.
Amiga-amante. Desfrute de sua glória social com minhas falas e minhas lagrimas que em silencio são derramadas. Meu choro puro que demorou poucos anos para surgir. Desfrute do meu amor que nunca mais terás odiável-querida, amiga-amante. Como diz Drummond (detesto reproduzir frases alheias a mim, pois de alguma forma não me sinto digno de reproduzi-las. Pena que não pense o mesmo.) “o meu ódio é o melhor de mim”, ou algo que o valha. Pense bem, você tem o meu melhor e o meu pior. Tens a minha chuva de lagrimas, minha dádiva de sorrisos, meus dedos alérgicos. Alias, teve. Não mais os tem.
Quer saber de uma coisa?Caralho, você é a primeira que eu escrevo cartas, a primeira a querer ser minha amiga (amante dos outros hehe), a primeira a ter meus olhos mareados e minhas brilhosas e escuras pupilas.Pode conferir, na minha primeira carta, que você nunca recebeu, o quão detestável ser eu sou. Nunca falo de mim nas cartas, pois sou tão medíocre que sequer mereço atenção. E por isso te odeio pelo fato de estar certa co relação a mim. Não lhe mereço, não mereço atenção. Mesmo você tentando me dar alguma. Não mereço uma foto ao teu lado como um idiota qualquer numa avenida sem fim onde pombas, carros, pessoas e folhas passam sem serem notados. Nem podemos, futuramente, nos deitar na grama fria e seca de algum lugar qualquer e rir das nossas fotos, porque nem isso temos.
Consegue imaginar esse dia? O dia em que nós nos reencontraríamos e estivermos longe dessa nossa situação atual que tanto me aflige e tanto lhe agrada, Andrea. Eu queria poder, mas meu futuro é tão negro quanto uma noite de sono mal dormida que já é de praxe eu presenciar.
Só pra reafirmar Andrea, te amo te odeio.Até a próxima e ultima.Carlo.
Andrea 4
Boa noite Andrea
Andrea
Esses dias de frio apenas aumentam a minha temperatura. Estou com febre. Estou doente a ponto de ir ao medico. Sabe que eu detesto medico, minha querida. Sabe disso.Ainda não faz o tempo chuvoso que tanto prezo. Apenas as poucas lágrimas duras que seqüelam meus olhos escorrem por entre as florestas do meu rosto. Apenas meus cabelos maltratados pairam sobre o céu da minha cabeça, definhando todos os meus sonhos importunos.E você está em todos eles minha querida.Não quero mais sonhos, Andrea. Eu sei que ao fechar meus olhos você vai descer as escadas como naquele nosso primeiro encontro, forçosamente forjado por mim. Eu sei que, ao fechar meus olhos, a taça escorregara por entre seus belos dedos que eu segurei naquela mesma noite. Eu sei que, se abrir meus olhos, haverá mais escuridão do que quando os fecho.Devo-lhe desculpas Andrea, novamente, pelos seus dedos. Arrependo-me tanto. Podes não acreditar em minhas palavras, mas quase que não durmo aquela noite. Não era minha intenção machucar sua mão com aqueles cacos de cristal. De qualquer forma, pode não ter tido importância para você. Mas insisto em dizer: quase que não durmo aquela noite. Por dois motivos muitos simples:Não sei se me conhece a tal ponto, mas, acredite, sou um poço de arrependimento. Passo dias remoendo fatos, tentando me perdoar por algo errado, ou que meramente julgo errado, que fiz. A verdade é que eu fui um afobado, um descontrolado. Um completo imbecil por ter te machucado. Você diz que não houve zanga, minha querida, mas teus olhos não mentem por você. Seu silencio também não é um bem convincente. O seu silencio e o seu olhar foram na verdade o primeiro motivo da minha insônia.Mas eu me contradigo novamente. Não só a culpa de te ferir, mas o toque de teu existir.O segundo motivo foi por eu ter segurado sua mão entre as minhas. Suas mãos rosadas de belos dedos. O toque macio daquele membro gelado. O sangue vermelho estocado sobre o machucado daquela maldita taça que ousou te ferir.Por minha causa.AndreaFoi ao tocar sua mão que tive a certeza que te amava.Foi ao receber o seu olhar gélido que tive a certeza que me detestavaAndreaNão sentiras minha falta quando eu partir, que não tardara.Não sentirei sua falta quando partir. Carrego-te comigo em todos os momentosAndreaEscrevendo seu nome pela sexta vez nesta carta, meu olho lacrimejaram a tal ponto que nãopude me controlar. Não por você. Não por mim.Mas por essa situação triste que um alegre final não terá.Apagarei as luzes mais uma vez. Você vai surgir sorrindo e convidativa. A espera do embalo de mais uma canção que você vai escolher.Podemos fazer um trato?Escolhe a canção e eu escolho a emoção? Escolhe a aventura que eu escolho a temperatura? Escolhe a luz e então me seduz? Escolhe o dia e eu me encho de alegria? Você desconsidera meus últimos erros e eu ínsito no desejo?
CHEGA! Quanto disparate estou dizendo!
Se bem que eu tenho certeza que, só seria disparate, se você lesse ao menos uma linha desta carta.E eu sei, nunca leras.
Boa noite Andrea
Carlo
Andrea
Esses dias de frio apenas aumentam a minha temperatura. Estou com febre. Estou doente a ponto de ir ao medico. Sabe que eu detesto medico, minha querida. Sabe disso.Ainda não faz o tempo chuvoso que tanto prezo. Apenas as poucas lágrimas duras que seqüelam meus olhos escorrem por entre as florestas do meu rosto. Apenas meus cabelos maltratados pairam sobre o céu da minha cabeça, definhando todos os meus sonhos importunos.E você está em todos eles minha querida.Não quero mais sonhos, Andrea. Eu sei que ao fechar meus olhos você vai descer as escadas como naquele nosso primeiro encontro, forçosamente forjado por mim. Eu sei que, ao fechar meus olhos, a taça escorregara por entre seus belos dedos que eu segurei naquela mesma noite. Eu sei que, se abrir meus olhos, haverá mais escuridão do que quando os fecho.Devo-lhe desculpas Andrea, novamente, pelos seus dedos. Arrependo-me tanto. Podes não acreditar em minhas palavras, mas quase que não durmo aquela noite. Não era minha intenção machucar sua mão com aqueles cacos de cristal. De qualquer forma, pode não ter tido importância para você. Mas insisto em dizer: quase que não durmo aquela noite. Por dois motivos muitos simples:Não sei se me conhece a tal ponto, mas, acredite, sou um poço de arrependimento. Passo dias remoendo fatos, tentando me perdoar por algo errado, ou que meramente julgo errado, que fiz. A verdade é que eu fui um afobado, um descontrolado. Um completo imbecil por ter te machucado. Você diz que não houve zanga, minha querida, mas teus olhos não mentem por você. Seu silencio também não é um bem convincente. O seu silencio e o seu olhar foram na verdade o primeiro motivo da minha insônia.Mas eu me contradigo novamente. Não só a culpa de te ferir, mas o toque de teu existir.O segundo motivo foi por eu ter segurado sua mão entre as minhas. Suas mãos rosadas de belos dedos. O toque macio daquele membro gelado. O sangue vermelho estocado sobre o machucado daquela maldita taça que ousou te ferir.Por minha causa.AndreaFoi ao tocar sua mão que tive a certeza que te amava.Foi ao receber o seu olhar gélido que tive a certeza que me detestavaAndreaNão sentiras minha falta quando eu partir, que não tardara.Não sentirei sua falta quando partir. Carrego-te comigo em todos os momentosAndreaEscrevendo seu nome pela sexta vez nesta carta, meu olho lacrimejaram a tal ponto que nãopude me controlar. Não por você. Não por mim.Mas por essa situação triste que um alegre final não terá.Apagarei as luzes mais uma vez. Você vai surgir sorrindo e convidativa. A espera do embalo de mais uma canção que você vai escolher.Podemos fazer um trato?Escolhe a canção e eu escolho a emoção? Escolhe a aventura que eu escolho a temperatura? Escolhe a luz e então me seduz? Escolhe o dia e eu me encho de alegria? Você desconsidera meus últimos erros e eu ínsito no desejo?
CHEGA! Quanto disparate estou dizendo!
Se bem que eu tenho certeza que, só seria disparate, se você lesse ao menos uma linha desta carta.E eu sei, nunca leras.
Boa noite Andrea
Carlo
Andrea 3
Sobre Andrea
Você pode não entender muito bem meus sentimentos sobre a Andrea. Querendo ou não, nem mesmo eu entendo, meu colega. Espero poder entende-la um dia.Ou até mesmo me entender.
Você pode não entender muito bem meus sentimentos sobre a Andrea. Querendo ou não, nem mesmo eu entendo, meu colega. Espero poder entende-la um dia.Ou até mesmo me entender.
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